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quarta-feira, março 19, 2003

e ontem...
..e ontem chorei baldes lendo jornal.
Porque aqui no Brasil eu faço a minha parte, sabe? Não posso resolver os problemas do país, mas faço o que posso - desde separar lixo para reciclagem e doar comida pra igreja até estudar pra carajo para influenciar futuros formadores de opinião (ops! pronto, falei). Mas não tenho como impedir que um redneck que só não é um filho de uma puta porque dona Barbara é uma senhora de respeito massacre um país inteiro por causa de rixa antiga com um chefe de estado de um país de leis razoavelmente antiquadas, onde é permitido que ele - o chefe - e seus filhos matem mesmo - embora ele cante "I can change, I can chaaaaange/ I can learn to keep my promises I swear it la la la la la la la", o país inteiro não merece bombardeio. São séculos de História, são décadas de pessoas. Malditos rednecks.
* * *
- Aaaahh, mas eu tenho vergonha de falar com ele!
- Não tenha, Lia. Você tem anos de zine.. você já é uma celebridade pop.

Confesso que tive medo dessa frase.
O Conga Conga Conga começou modesto, numa época em que eu produzia uns showzinhos em Niterói. Era num centro cultural ali no Ingá - sempre dois shows e uma exposição de artista iniciante, aluno da Escola de Belas Artes ou coisa parecida; um dia um amigo sugeriu uma banda de um selo do Rio de Janeiro, entrei em contato com os caras, levei eles pra tocar lá e conheci o tal dono do selo. Isso era comecinho de 97, e o tal dono do selo tinha um zine. Trocamos figurinhas, telefones, beijos, e num de nossos passeios pela praia de Icaraí, surgiu o papo:
- Por que você não faz um zine? Você já faz o jornalzinho da faculdade, já sabe como é a coisa..
Acho que foi a coisa mais romântica que já ouvi.
Antes da Gretchen voltar a virar moda, surgia o Conga Conga Conga, que começava modestíssimo mas tinha grandes pretensões: ME AGRADAR. Falar de Weezer, de Pixies, de desenho animado, de bandas-de-amigo que estavam começando.
O primeiro número tinha o Hervé Villechaise, o Tatu da Ilha da Fantasia, logo na capa, assim, pra esculhambar de vez.
O segundo tinha a musa Maria Odete Miranda, a Gretchen, e eu distribuía no Bedrock (alguém lembra do Bedrock? Enzzo [valheu Marco, às oitodamanhã eu não sou ninguém], Interzona Inc., Suzy's Down, I Believe In Santa Claus, LOVELESS - Pedro e Pescoço numa única banda, olha que perigo.. alguém? Fernanda????).
O terceiro veio na época em que a Elza Cohen organizou um festival-de-bandas-de-meninas em Niterói. Isso era fim de 97, começo de 98, e o zine já tinha opinião - mas era opinião cínica e sarcástica, sempre de bom humor, porque Conga Conga Conga só era sério pra falar de rock. Esses festivais-de-bandas-de-meninas geraram uma leve polêmica no meio, afinal, se as bandas-de-meninas precisavam de um festival só pra elas, isso me soa tão sexista quanto probir totalmente bandas-que-tenham-mulheres de tocar - embora ninguém negue que essa época foi ótima para o surgimento/ divulgação de uma "cena rock" e que esses festivais da Elza tenham sido fundamentais para que isso tenha acontecido.
* * *
Eu tô contando isso porque boa parte dos meus amigos que se dizem fãs-de-rock hoje não viveram essa época e acham que eu nasci ontem só porque me conheceram ontem. Ok, perdi MUITA COISA que aconteceu antes disso, mas ei, eu morava em Niterói e era terminantemente proibida de atravessar a baía de Guanabara! Nunca fui à Dr.Smith, mas pergunta quem já ia pra showzinho na GAP de Itaipu, no Gato Preto, no Bougainville, aos 14, 15 anos? Hein, hã, hum? Quem pegava metade da banda e era melhor-amiga da outra metade? Heh.
* * *
Ocorre que Conga Conga Conga, numa posição sempre de não comprar briga, mas comprando, publicou o famoso textinho sobre Riot Grrrls x Girl Power. Dizendo que era tudo a mesma merda, que mulher não precisa se autoafirmar - confesso que hoje eu desenvolveria bem melhor o tema, viu? E a partir daí foi colaboração em outros zines, credencial pra cobrir festival, entrevista na mtv.
Eu tinha MAIS pique pra tocar zine pra frente, confesso - quando você não trabalha ainda, você se dedica melhor a esses projetos. Nessa época, já estava numas de migrar o Conga Conga Conga pra internet, porque bancar xerox e correio era impraticável do jeito que o zine estava crescendo. Ainda fiz uma ediçãozinha impressa ([flashback mode]meu deus, isso foi na época em que eu peguei o.. meu deeeeeuuuusss..[/flashback mode])
Enfim, o resto da história vocês lêem depois. Eu tenho que trabalhar, mas já adianto que tem MUITA história. Depois eu conto da *cena rock de 98* (que o Fred Leal não conheceu, o Matias Maxx era um moleque que vivia batendo com o carro e Marcelo Camelo era um cara que falava "eu tenho uma banda de hardcore, vou te dar a demo, ouve aí e me diz o que acha!"), da tristeza que é ver bandas muito fodas indo pro limbo, de quantos sons e pessoas tive o prazer de conhecer.
Bicho, essa história dava um livro. Ou um artigo gigante pra alguma revista.
Vou pensar nisso com carinho.

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