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sábado, agosto 31, 2013

A vida é boa

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sexta-feira, agosto 30, 2013

Diários de mudança - Detalhes

Ainda não dá pra sair fotografando a casa, a menos que vocês queiram ver caixas e mais caixas empilhadas e espalhadas onde os móveis supostamente estarão. Mas uns detalhezinhos já dá pra ir liberando. \o/

As santas.

Nosso aparelho de som com toca-discos.

A arte Airumã na parede (ainda teremos uns Tantão e um Andrey. E uns posters bacanas. Weeeeeee!).

Hoje foram embora mais sete caixas. Confesso que trapaceei - coloquei umas coisas dentro de outras, pra liberar as caixas logo. Saldo: algum lixo e uns 50 cds para doação/venda. Achamos as ferramentas, finalmente. Suspeito que a próxima mudança será mais fácil, já que estamos trabalhando arduamente para que todas as coisas tenham seus lugares nessa casa.

E você? O que está fazendo pra desentulhar a SUA casa?


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terça-feira, agosto 27, 2013

Hotclub of Cowtown - Time changes everything

https://www.youtube.com/watch?v=zOzWnl5H21k&feature=youtube_gdata_player

Quote fofa do dia





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Diários de mudança - semana 1

Como vocês já devem saber, nos mudamos para Niterói. É mais longe do trabalho, sabemos, mas alguns fatores pesaram na nossa decisão - e cá estamos.

Um dos fatores é o tamanho do apartamento - bem maior do que o anterior -, combinado com o fato de que agora estamos montando a casa juntos, e isso faz uma diferença enorme na relação - na nossa e na relação com a casa. O anterior tinha tralha minha - muita tralha! - e de Cid. O atual tem espaço - e a real é que estamos aproveitando a oportunidade também para jogar lixo fora, doar coisas, nos desfazer de (alguns) excessos. 

Alguns, apenas, né? Pelamor. Estamos adotando novos hábitos, mas não vamos nos transformar em novas 
pessoas da noite pro dia. Um passo de cada vez. :)

A primeira coisa que eu diria para vocês é 'pesquisem sobre a companhia de mudança no Reclame Aqui'. Não queríamos nossos ukeleles destroçados, toy arts perdidas, peças de figurino detonadas. Foi difícil porque lá em casa nunca teve exatamente um 'lugar para os discos', 'lugar para os livros', era tudo meio empilhado onde dava - o que nos obrigou a empacotar algumas coisas nós mesmos e deixar o resto na mão da Guarda Móveis Copacabana. Não foi barato, pela quantidade de coisas e pela distância entre uma casa e outra (mudou município, né?), mas os caras têm um cuidado absurdo com absolutamente tudo. ATÉ COM NOSSOS LIXOS, que vieram todos. ¬¬

(recomendo a empresa. recomendo mesmo. deu tudo muito certo)

O primeiro ambiente 100% pronto para uso foi a cozinha (banheiro. o banheiro também). Primeiro porque ela já está devidamente equipada, segundo porque precisamos comer todo dia, certo? Foi uma boa estratégia. De barriga cheia, ficamos mais animados para fazer todas as outras tarefas da casa.

Cid, especialmente:

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Tudo tem gaveta, armário, lugar próprio para armazenamento, tomadas, tudo está lindo. Na cozinha, né? O resto da casa... tá indo.

Ainda não fizemos uma semana na casa e até que a operação desempacotamento está indo razoavelmente bem. É que ainda não temos móveis nem estantes, então não faz sentido abrir e desempacotar coisas que não podem ser guardadas em lugar nenhum. Temos um quartinho da bagunça / escritório ainda cheio de caixas empilhadas, mas já com algumas estantes e escrivaninha montada (e um sofá-cama para as visitas). O quarto tem um armário provisório que as tias deixaram, e caixas e mais caixas de roupas (e as sapateiras velhas aqui), mas quando chegar o guarda-roupa TRU, ninguém segura.

E a sala...
image

Hoje chega a cristaleira para os toys, no fim de semana chegam algumas estantes para livros, discos e CDs. 
Sofá, só no final de setembro. Mas Cid já realizou o sonho da poltrona reclinável própria, e está se sentindo bem mais dono da casa (e isso é ótimo!).

Sim, mudar gasta muito dinheiro - especialmente se você não tem móveis (sofá, cama, guarda-roupa) e se a mudança é intermunicipal. Mas pelo menos os equipamentos da casa a gente já tinha. Acabou com a viagem de férias, mas... bem, acho que tá tudo bem. Os quartos e diferentes ambientes podem nos proporcionar não apenas mais liberdade criativa como a possibilidade de montar nossos ateliês e focar em produtos (vídeos, bambolês, costuras, sites). Acho que nas férias do ano que vem teremos mais $$ em caixa do que este ano.

Conforme formos ajeitando a casinha, vou postando aqui as novidades :)

segunda-feira, agosto 26, 2013

Porquêra do dia

Isso é errado em MUITOS níveis. Poesia pura (ou não?). Com vocês, a sensacional COMPANHIA DA LAPADA com o hit "Mainha painho". O refrão? Tem que ouvir:

http://youtu.be/H8xEtMSeK90

domingo, agosto 18, 2013

quinta-feira, agosto 15, 2013

Aprendendo a organizar

É sem UMA ponta de orgulho que admito: não sou a mais organizada das criaturas. Não é que eu me sinta bem na bagunça: não! Odeio! Sou do tipo que não consegue dormir se a porta do armário estiver aberta ou tiver louça suja na pia da cozinha! Mas minha casa, mesmo antes de eu casar com o Embaixador do Caos, sempre foi uma zon, infelizmente.
Consigo entender as origens disso muito claramente. Basicamente, são dois os motivos que me levam a viver num ambiente entulhado:

1 - NÃO sou desapegada. Hoje fui fazer uma faxina pré-mudança e detonei MEIA TONELADA de papel, incluindo anotações das aulas de química, física, biologia e história do terceiro ano do segundo grau, na época em que NÃO se falava ‘ensino médio’ ainda - 1995, pra ser mais exata. Estamos em 2013, faça você as contas pra saber há quanto tempo eu tou guardando um monte de papel que não tem uso nenhum na minha vida. Não é que eu seja uma hoarder dessas de série de TV a cabo, até consigo receber visitas em casa sem muito constrangimento. Mas esse meu apego a coisas que não necessariamente pode ser subdividido em dois motivos bem claros:

1.1 - a mentalidade do ‘posso precisar disso um dia’, que acomete muito artistas, pessoas criativas que fazem trabalhos manuais, pessoas que não eram muito ricas e tinham irmãos (meu irmão herdou livros meus da escola, por exemplo - daí a achar que alguém precisaria das minhas anotações de química...)... outro dia achei uma PILHA de DEZENAS de cartelas de adesivos para rótulo de VIDEOCASSETE num armário do meu pai. O argumento dele pra guardar aqueles adesivos todos? POSSO PRECISAR UM DIA. Eu não sabia se ria ou se chorava, mas hoje vejo que minha coleção de SACOLAS BONITAS DE LOJAS (vai que preciso entregar algo para alguém, não vou botar numa sacola de supermercado, né?) vai pelo mesmo caminho. Hora de acabar com esse padrão.

1.2 - Um apego emocional mesmo a discos, livros, bonecos, bibelôs e todas essas coisas que a) representam minha identidade, são uma espécie de ‘statement’ “você está na casa da Lia” e b) me lembram que eu não estou sozinha (passei oito anos sozinha nessa casa. meus bonequinhos são uma espécie de fonte de segurança).

O outro motivo é financeiro. Me mudei pra cá aos 23 anos. Tinha um empreguinho que me permitia pagar as contas, mas nunca me liguei que eu precisaria, eventualmente, pagar um curso de pós graduação, me sustentar caso não tivesse esse emprego, etc etc etc. E minha casa tinha PERSONALIDADE (os bonequinhos lá em cima, certo?), então nunca me preocupei muito também em mandar fazer estantes sob medida, armários, organizadores... sempre fui botando as coisas conforme precisava ou tinha uma verbinha extra. E essa verbinha extra só apareceu há cerca de um ano atrás.

Agora organizar virou uma necessidade: não sou só eu, mas meu marido também é BEM desorganizado, e no que depender dele, não sei o que será da nossa sanidade mental. Com a mudança de casa, estou detonando MUITAS coisas, livros, revistas, CDs, celulares tijolão, aparelhos de som quebrados dos quais eu posso precisar um dia (???)... e agora até tenho um caixa pra isso. Não muito. Ainda não é dessa vez que vou mandar fazer armários e estantes otimizando cada cantinho da casa - mas ando descobrindo objetos, sites e dicas muito legais. Acompanhe aqui a minha saga e, se você tem esse problema de desorganização que eu tenho, aprenda alguma coisa comigo. :)

sábado, agosto 10, 2013

Já que está todo mundo falando do ForadoEixo, também vou falar...

...mas não o que vocês esperam. Não tem denúncia nenhuma aqui. Nunca vi um show promovido por eles - ok, tudo bem, eu não conto, sou do eixo né? - mas acompanho avidamente, desde a época de faculdade (e isso faz muito tempo) as mudanças nos modelos de negócios promovidas pelas tecnologias de produção e difusão de produtos culturais - minha monografia de conclusão da graduação em Produção Cultural, há mais de dez anos, falava de música. Mas fui trabalhar com cinema, com internet, com inovação, e agora não tem mais volta: é paixão. E confesso que estou curtindo demais esse momento de discussões sobre o modelo 'anticapitalista' promovido por coletivos produtores/difusores de cultura - notavelmente, essas discussões sobre o Fora do Eixo.

Participei do grande fórum CulturaDigitalBr em 2009, fiz curso de extensão em Capitalismo Cognitivo na UFRJ coordenado pela Ivana Bentes, frequento palestras, cursos e eventos ligados ao assunto; tenho um pezinho no jornalismo e outro na música, frilei muito com músicos, tanto na produção de shows como na produção de conteúdo para redes; casei com músico e assumi meu lado artista, ora bolas. Então não é de hoje que esse assunto me interessa. Não consigo ver essa discussão toda em cima do Fora do Eixo e não vibrar com cada texto kilométrico atacando ou defendendo os caras.

Entendo e prego a necessidade de mudança de modelos de negócios, a cultura dos coletivos, conhecimento, informação e reputação como geradores de valor, em muitos casos maior do que dinheiro. Entendo que não faz sentido chamar os caras de seita, porque tá na casa trabalhando 24h/7 quem quer, e quem não gostou que saia dali e procure um emprego de verdade, ué. Há coisas muito legais nessa história toda. Por outro lado, esses caras precisam de um novo modelo de negócios urgente. Se um dia eles acabarem, tudo bem: muita gente boa vai continuar produzindo arte e cultura fora do eixo Rio-SP, sem o apoio deles. Mas, por todo o discurso moderno baseado em redes e tecnologia, e até pela importância histórica dos caras na cena de cultura digital no Brasil, seria legal da minha parte tentar ajudar a manter a organização pulsando. Vamos lá:

1 - A decisão sobre remuneração cabe ao autor

Em primeiro lugar, porque esse negócio de pagar com troca de serviços de parceiros pode funcionar bem pra uns, mas não para outros - e aqueles que preferem receber seus cachês em espécie não precisam ceder seus produtos para o Fora do Eixo, simples assim - mas o Fora do Eixo não pode, simplesmente não pode ameaçar músicos, como há relatos de que tenha feito; não pode se apropriar de produções alheias para divulgar sua marca - lembrando que estamos falando de um universo não regido por dinheiro, mas regido por reputação. É só lembrar das licenças creative commons: pode compartilhar, mas não pode ganhar em cima, se eu não quiser. E se você não ganha dinheiro, mas ganha reputação, poder, contatos, capital social, mailing ou seguidores às minhas custas, sem me remunerar da maneira que eu decidi quando escolhi atribuir uma licença ao meu produto - que pode ser em dinheiro, em atribuição, em potes de Nutella, em cursos de dança grátis - , você é um pilantra. E pilantragem pode trazer problemas jurídicos graves.

2 - Modelo de trabalho antiquado

Em segundo lugar, sem questionar se o esquema de trabalho nas Casas Fora do Eixo pode dar merda com o Ministério do Trabalho e considerando que todo mundo que está lá está porque quer, ninguém obriga a seguir essa lógica de trabalho 24/7, de ultrapassagem de limites entre pessoal e profissional, eu diria que essa onda de 'a tecnologia já mesclou a vida pessoal com a vida profissional, somos todos conectados 24h por dia e nosso trabalho É quem a gente é'  já está defasada. Amigo, leia Tim Ferris. Você pode ser EXTREMAMENTE produtivo, focado e operar com metas factíveis por pouco tempo do seu dia, pode delegar tarefas, você pode trabalhar à distância, você pode fazer o que quiser. Esse esquema de ter que estar no seu local de trabalho em horários predefinidos é extremamente fordista - e, consequentemente, capitalista pra caramba. Então não venha tirar onda de 'caixa coletivo', comunistazinho de boutique, porque não há nada mais capitalista do que pessoas que vivem para o trabalho. Não tem dinheiro envolvido, mas alguém está lucrando algo com essa história toda - e não é você, o babaca explorado que escolhe viver para trabalhar pra alguém. Tudo bem, é para um bem maior, para uma coletividade... mas vocês hão de convir que muita gente tem se sentindo lesada pelos esquemas deles. Então não é exatamente um BEM maior, certo? De qualquer forma: cadê a liberdade? Como assim, horizontalidade e comunidade, e você tem que pedir permissão pra ir pra casa?

Leiam 'A semana de quatro horas' e aprendam o que é modelo de negócios, trabalho e remuneração baseado em redes e em tecnologia. Isso aí que eles fazem não tem NADA de revolucionário. Me lembra aquelas agências de publicidade onde todo mundo veste a camisa da empresa, mas não tem fim de semana pra ficar com a família. "Ah, eles são minha família". Sei. A-ham, senta lá, Claudia.

3 - Modelo de negócios cada vez mais longe de ser autossustentável

E terceiro, como Cid bem lembrou, o Fora do Eixo virou um intermediário de patrocínios. E desde aquela época em que eu era apenas uma formanda em Produção Cultural, já tinha uma certa bronca com a cultura do edital.

Depois que fui trabalhar com isso, só piorou.

A indústria cultural hoje, no Brasil, é excessivamente dependente de fomento alheio, mais especificamente dinheiro público. Isso tem diminuído graças a entidades e órgãos que têm preferido incentivar o desenvolvimento de projetos a simplesmente fomentar uma produção que, a partir do momento que já sai do papel, já está paga por alguém; a entidades, órgãos e empresas que têm <em>investido</em> em produtos culturais, e não simplesmente apoiado - o próprio termo investimento já pressupõe alguma espécie de retorno, o que dá ao produtor da obra o compromisso com levá-la para um grande público. A gente, que PRODUZ cultura, precisa aceitar que verbas públicas são limitadas, e é impossível incentivar tantos projetos quanto existem produtores, a não ser que o dinheiro concedido seja ínfimo e não pague nem a água do catering do primeiro dia de produção. O órgão público gastava dinheiro à toa, porque essa verba, de tão pouca, fazia pouca diferença no orçamento, e o produtor reclamava da pouca verba. Mas tava sempre lá pra pedir, né? Verba é verba.

Nos últimos tempos, as gestões de cultura que tenho observado à minha volta, em esferas municipais, estaduais e federais, têm trabalhado pra mudar esse cenário - por isso, o desenvolvimento de projetos (ensinar a pescar é muito mais lucrativo para todas as partes do que dar o peixe), os prêmios de estímulo à qualidade, que dão retorno a projetos com compromisso com público, e o foco nas áreas reembolsáveis - que vão garantir o retorno financeiro pra sustentar toda a operação da empresa, possibilitando, consequentemente, também o investimento a fundo perdido. O termo da moda agora é economia criativa, ou economia da cultura, porque gestores públicos já sabem que cultura e criatividade movimentam capital - seja ele dinheiro, reputação ou mailing -, e não é pouco.

Você, analista de tendências, já percebeu onde isso vai parar, certo?

Não?

A Lei Rouanet já está sendo discutida. Finalmente, a gestão pública de cultura começa a notar a dependência do mercado do dinheiro público, e começa a incentivá-lo para que o setor, seja ele qual for, ande com as próprias pernas, cada vez menos dependente dessa grana do governo, ou até mesmo da grana dada por empresas privadas, que deveriam estar sendo alocadas em impostos. Em alguns anos, muito provavelmente, as únicas áreas que receberão incentivo MESMO serão as de preservação de acervos, porque a partir de um certo momento esses acervos já passaram por todas as explorações comerciais imagináveis, e sua preservação e manutenção custa caro - e tudo o que tiver um potencial de público pagante vai poder andar sozinho, com as próprias pernas. Esforços consideráveis têm sido feitos no sentido de tornar o setor criativo autossustentável.

Então posso apostar que, dentro de alguns anos, esse modelo baseado em editais vai perder muito a força. Se você sustenta seu esquema com dinheiro de patrocínio, de editais, de dinheiro público, você está com os dias contados - seja porque cada vez menos apoio será dado neste sentido, seja porque quem está no poder pode ser outra pessoa nas próximas eleições - e essa pessoa pode não gostar de você.

Então, FdE, que tal aprender com coletivos que independem de verba pública? Com coletivos de produtores que FAZEM suas artes e VENDEM suas artes a preços de mercado? Que se unem para divulgar as produções uns dos outros, que se complementam?

Fica a dica.

Como eu não dou ponto sem nó...

Esse foi só um primeiro diagnóstico. A consultoria completa sobre como adaptar o modelo de negócios para uma gestão mais autossustentável, eu também faço, mas só sendo remunerada de alguma forma, porque meu tempo também vale um bocado. Pode até ser em troca de serviços, mas normalmente é em dinheiro, porque preciso comprar a coca-cola das crianças.

E aí, vai?

Entre em contato: lia.amancio@gmail.com

terça-feira, agosto 06, 2013

Da preservação da memória analógica



No finalzinho dos anos 70, muito antes de ter ideia sobre qualquer coisa, fui amplamente registrada em Super 8 e fotografia, aquela, sim, que precisava revelar. Tenho memórias muito claras dos meus primeiros dois ou três anos de vida, das quais não me lembro, mas são vivas por causa dos registros em foto e vídeo dos meus primeiros anos. Por força do trabalho do meu pai, e porque quando se trabalha com cinema, se trabalha também nos fins de semana (e dá pra envolver as crianças), tive contato muito cedo com latinhas de filme, com acervos de audiovisual, com aquele mesmíssimo poster de ‘A idade da terra’ que adorna uma das salas do CTAv.
Já na adolescência, frequentava cineminhas independentes com minhas próprias pernas. Cogitava fazer cinema, mas como meu pai disse que eu podia trabalhar com cinema até se fizesse engenharia, fui fazer... produção cultural. Mas sempre estive ali perto. Meu primeiro estágio foi no arquivo da Cinemateca do MAM. Passei por produtora, televisão, agência de comunicação, departamento de marketing, educação à distância, produção, eventos, tecnologia, cultura, departamento de comunicação de órgão público ligado ao audiovisual... e aqui fiquei, sempre com comunicação, cultura, audiovisual, educação, tecnologia e algumas políticas públicas rondando por perto, lembrando que é isso que sei fazer desde pequena.

A gestalt se fecha quando, no trabalho, sou recrutada pra cobrir a inauguração de um projeto que envolve paixões e esforços de pessoas com quem trabalhei em fases tão diferentes da vida, e que tanto respeito. Voltar lá não mais como a mocinha curiosa querendo saber como funcionava tudo (e voltando cheia de flipbooks pra casa), mas adulta e já sabendo até o que não devia (ah, o fabuloso mundo da política!). Rever salas e pessoas que eu via em contra-plongé, agora do alto de 1m65 de altura. Ver ali, pronto pra funcionar, o que conversei com Ines, com Hernani, com Leopoldo. Ver a homenagem a Gustavo Dahl. Ver que finalmente se dá a devida importância à preservação de acervos nesse meio. Por acervos, falo de fitas mesmo. Em película, magnéticas, que seja: aquelas que você pega na mão, vê onde está o defeito e DESAMASSA. E LIMPA. E olha que lindo: junto com o prédio, vêm também cursos de preservação, de operação de projetores 35mm. E isso é lindo.

Uma coisa que, se você acompanha o que escrevo, talvez você já saiba, é que sou uma espécie de elo perdido entre a tecnologia digital e a analógica. Que apesar de ser a nerd da casa, ou de onde quer que esteja, ainda duvido da capacidade de preservação de materiais digitais - porque vejo com meus próprios olhos disquetes que não podem ser mais lidos com apenas quinze anos de existência, em contraponto a livros, discos e filmes em mídias físicas que, com apenas uma limpezinha, estão prontos para uso. Acho a digitalização uma mão na roda, mas preciso constantemente trabalhar o desapego, sabendo que um dia todas essas fotos, textos e filmes não vão servir de legado para ninguém. É complicado, porque cresci filmada em super 8 e fotografada em 35mm. E do mesmo jeito que fitas e filmes construíram minha memória, fitas, filmes, discos e livros constroem memórias de sociedades inteiras.

Com tudo digital, e com tecnologias de difusão mudando tão rápido, quanto tempo pra um filme lançado em 2009 não estar mais disponível de maneira alguma? Quanto tempo para um HD externo com gigas e mais gigas de backup - de informação, de memórias de família, de registros de pessoas em lugares e em épocas - não serem mais reconhecidos pelos computadores de daqui a alguns anos, que provavelmente não terão mais uma porta USB, mas outra coisa?


Já tem músicas salvas em CD que não consigo mais ouvir, porque o padrão ISO era outro, incompatível com versões novas do sistema operacional - mas tenho discos de vinil aqui de pelo menos algumas décadas antes de eu nascer. Já tem livros escritos e salvos em disquetes que só podem ser lidos porque foram impressos e encadernados. Sabe aqueles vídeos em REAL VIDEO? Pois é. Cadê? Mas os filminhos em película ainda estão aqui - até digitalizados, até na internet, mas com sua matrizinha ali, se der algum problema ela é restaurável por quem sabe.

Hoje foi dado mais um passo para a preservação da memória audiovisual da gente. Eu estava lá. E aí cês sabem o que aconteceu, né? É claro que me emocionei.

http://ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/ministra-da-cultura-inaugura-novo-arquivo-de-filmes-do-rio-de-janeiro
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