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quinta-feira, setembro 26, 2002

[Vamos matar orcs!]
Uma incompatibilidade de agendas me fez perder "O Senhor Dos Anéis" no cinema. Falta de pique pra enfrentar filas, e quando as filas diminuíram, meus amigos já haviam visto o filme umas oito vezes cada. Nada contra ir ao cinema sozinha, mas esse é o tipo de filme pra ver em grupo.
De qualquer forma, demorou até achar o vídeo disponível na locadora - mas ontem corrigi essa falha no meu caráter. E aí que...
Bem, fiquei sabendo pelo meu tradutor elfo (que viu parte do filme comigo) que muita coisa ficou faltando no filme, tanto na adaptação do livro para as telas como nas cenas que foram sumariamente cortadas da edição final. Também não sei se é porque a estrutura "um grupo que se une em torno de um objetivo comum e enfrenta mil perigos" já ficou batida em filmes, desenhos animados e jogos de RPG (não por acaso, todos baseados em Tolkien, mas não tenho culpa que a estrutura foi superexplorada) - assim como a ambientação medieval/ fantástica - então isso não chegou a me deslumbrar - sabe, já matei muito halfling, já fiquei amiga de elfos, já me meti em várias cavernas e castelos abandonados e tive que lidar com magos de ego inflado - e tudo parecia tão real, eu entrava tanto no personagem, que isso no cinema não me impressiona mais. No entanto, quem dirigiu o filme foi Peter Jackson, e ele é foda.
[gore, trash, splatter]
Peter Jackson tem um histórico de criaturas melequentas e cara de pau para fazer batalhas sangrentas sem nenhum pudor de parecer ridículo - e no final das contas, não parece. O cara tem um filme muito tosco no currículo chamado "Fome Animal", tem em qualquer locadora - ainda mais agora que ele virou hype. "Fome Animal" tem a melhor cena de sangue da história do cinema, tanto sangue que as pessoas patinam pelo cenário, e a cena do intestino perseguindo o cara é impagável. Tem um outro menos aparecido chamado "Trash!" que é exatamente isso aí. Em "Almas Gêmeas", Jackson mostra que tem classe e domina movimentos de câmera, travellings, fotografia, numa história completamente freak com os tais elementos fantásticos que ontem, quando eu vi de onde saíram, já tinham me cansado.
[o diretor perfeito no filme ideal]
Então várias vezes eu, que já conhecia alguns trabalhos anteriores do diretor, via movimentos de câmera e criaturas horrorosas e soluções visuais inusitadas e exclamava algo como "isso é muito Peter Jackson mesmo!", enquanto meu tradutor elfo, aquela coisa alta, classuda e bonitona sentada do meu lado, dizia "Isso foi muito fiel à descrição de Tolkien". O que me salvou de ver "O Senhor dos Anéis" como uma história já batida (eu sei, foi a mãe de todas elas, mas está batida, não neguem) foi o fato de eu ter enxergado o filme como um "filme de autor" de um diretor que eu já curtia há anos, e me parecia meio lá (splatter, gore, trash), meio cá (a classe de "Almas Gêmeas"), mas agora conseguiu juntar tudo num filme só e criar uma identidade. Segundo meus amigos entendidos na obra de Tolkien, Peter Jackson foi extremamente fiel - e o que fez foi ser ele mesmo. Reza a lenda que Peter Jackson sempre foi fã da obra de Tolkien, e embora "Fome Animal" e "Trash" não dêem nenhuma pista disso, quando você assiste a "O Senhor dos Anéis" você se liga que está tudo lá. Tudo. Definitivamente, a saga de Frodo e seus companheiros não poderia ter sido dirigida por outra pessoa - para os fãs do livro, a adaptação perfeita. Para os fãs do diretor, seu melhor filme até agora.
E é isso aí.
* * *
Ah, sim. Sobre a invasão de repórteres em tempo real ontem: estava rolando uma entrevista com algum político do outro lado da avenida. Eles simplesmente deixaram o cara falando sozinho e foram filmar o acidente. Genial.
* * *
E o prédio que desabou ontem no Centro do Rio, hein? Sinistro.

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