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quarta-feira, fevereiro 04, 2004

À Diretoria Daquele Jornal de Grande Circulação
Para começar, não sou jornalista. Às vésperas de prestar vestibular, não cogitei esta opção por dois motivos: primeiro, não conhecia um jornalista dedicado que ganhasse bem ou estivesse decentemente empregado, exercendo a profissão, e ouvia - como ainda ouço - falar de vários casos que mais têm a ver com costas quentes do que com competência - como um caso recente, de fonte idônea, da editora de um certo caderno que comparece à redação duas vezes por semana e ganha em um mês o que eu demoraria quatro anos para ganhar - se não tivesse contas a pagar, é claro. Tendo contas, o prazo aumenta para 'nunca'. Porque não sou jornalista, então a possibilidade de exercer tal cargo se torna algo impossível. Aliás, mesmo que eu fosse, bem, não conheço ninguém no mundo real que tenha um emprego assim.
Meu segundo motivo foi a influência familiar. Leio desde os três anos de idade, me tornei fluente mais tarde, mas ainda antes dos meus colegas aprenderem a juntar letrinhas, autodidata porém sempre estimulada desde pequena com livros, revistas, jornais e uma família que sempre me incentivou a buscar informação e a produzir a minha própria, quando a que eu busco não me basta. Filha de mãe jornalista de formação, que nunca exerceu a profissão e hoje se dedica muito mais à pesquisa do que muitos repórteres, e de pai acadêmico, titulado, competente e querido pelos alunos, ambos me garantiram que a faculdade de jornalismo, tal como era à época de minha escolha, seria inútil - aprenderia coisas que já sei, aprenderia técnicas de redação que poderiam ser aprendidas por qualquer um com leitura constante e interessada, aprenderia processos gráficos e fotográficos que hoje já são obsoletos, em troca de um diploma que me daria 97% de chances de ralar loucamente sem reconhecimento algum e 3% de chances de me dar um emprego como o da referida editora.
Acabei optando por um diploma de pouquíssima utilidade, mas numa faculdade que me deu uma base sólida de pesquisa em arte e cultura, em administração e burocracias (voltadas para arte e cultura, mas que qualquer um com um mínimo de inteligência consegue adaptar para qualquer área) e o incentivo de tirar a bunda da cadeira e não apenas elaborar projetos e ler sobre teoria de cultura de massa, mas de meter a mão na massa e meter a mão nas massas. Aprendi sobre processos técnicos de produção de expressão artística, virei noites por conta de line-up de show, divulgação, produção de vídeo, exposições e tudo o mais, mas não posso, por exemplo, escrever em bom português num Jornal de Grande Circulação como o seu.
Então vamos ao problema, Senhor Diretor do Jornal de Grande Circulação. Redijo esta missiva - que não enviarei, mas guardarei, a título de registro - oferecendo meus préstimos para revisar a versão online de seu jornal - ou pelo menos os erros mais gritantes, como aquele "inóqua" na primeira página do caderno local, que me turvou a vista de tão agressivo - jornalistas, que são pessoas que trabalham com produção escrita, deveriam ter a obrigação de não agredir a língua-pátria e de tratá-la com o devido respeito, já que é ela que garante o sustento da classe.
Pensei em corrigir o erro aqui, mas achei que seria uma medida inócua de minha parte.
Tudo bem criar diferentes regras de produção de texto para diferentes mídias, tudo bem errar digitação, tudo bem errar porque há palavras estrangeiras parecidas, tudo isso perdoa-se. Até ignorância dá pra perdoar, se você não tem condições de ter uma educação decente.
Isso tudo foi para dizer que este "inóqua" fez minh'alma se retorcer de dor.
Eu só peço respeito. Se não à Língua Portuguesa, aos meus amigos jornalistas, que honram a classe. Ou a quem escreve direito mas não tem nenhum peixe dentro do Jornal de Grande Circulação, para entrar aí e chibatar doze vezes cada um que cometer um acinte destes.
Pela atenção, grata.
(Post Scriptum: guardei um print screen do crime)

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