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segunda-feira, novembro 14, 2011

Cadê os protestos pela educação, minha gente?

"Noam Chomsky debate o futuro dos novos movimentos", especialmente o das ocupações - que começaram em Wall Street e se espalharam não apenas pelos Estados Unidos como pelo mundo. Aqui a fala de Noam Chomsky: http://www.outraspalavras.net/2011/11/14/chomsky-debate-futuro-dos-novos-movimentos/ - mas eu, particularmente, tendo a concordar com o colunista da Cracked que, sem menosprezar a validade de se protestar contra os rumos que a economia vem tomando, concordamos que tanto lá quanto aqui falta FOCO, falta um direcionamento, falta a eleição de um porta-voz - porque, claro, no meio dos hippies fazendo oficina de tambor como 'forma de protesto', sempre tem um ou outro mais articulado que poderia falar em nome dos demais, justamente pro movimento ter credibilidade, e não ficar com a fama de "movimento nem um pouco articulado, um bando de hippies acampando e fazendo oficina de tambor, sob o pretexto de protestar contra o capitalismo quando o NOSSO capitalismo aqui no Brasil já tem o viés socialista que a gente precisa, e a bem da verdade a economia nos EUA pode estar à beira do colapso, mas o Brasil, embora não esteja muito bem, obrigado, está indo por um caminho bem interessante". Mas como a imprensa só vê os hippies e a galera pretensamente 'anarquista', e como os protestantes na maioria preferem empunhar cartazes de "não vote!" e "eles tiram nossa liberdade de expressão" em vez de propor ações (ações mesmo, não protestos contra) para melhorar a situação contra a qual protestam, acaba tirando toda a credibilidade de um movimento que poderia até ter credibilidade se tivesse um mínimo de foco e de agenda. Por "agenda", leia-se "FAZER algo, em vez de apenas protestar contra".

Mas, voltando à matéria sobre a opinião do Noam Chomsky, eu acho que vocês, protestantes que têm tempo livre pra acampar e não precisam bater ponto em empresa pra botar a máquina do capitalismo pra rodar para incentivar a produção independente de arte e cultura e ajudar VOCÊS, artistas, a terem sua arte produzida e reconhecida, deviam se ligar num trechinho besta da matéria:

Na última quarta (9/11), um protesto contra o endividamento dos estudantes – que está beirando 1 trilhão de dólares e pode se transformar numa crise semelhante à das hipotecas – foi aberto por uma bandeira dos Estados Unidos e uma faixa contra o capitalismo…

Vamos lá, galerinha amiga:
- Faixa contra o capitalismo: é esse capitalismo que permite que vocês se organizem "de maneira anárquica" pela internet para realizar o movimento. É esse capitalismo que permite que vocês tenham acesso à máscara do Guy Fawkes (e, aliás, é esse capitalismo que permite que vocês ou deem dinheiro para grandes corporações, já que o personagem pertence à Warner, ou, pior ainda, comprem baratésimo de fabricantes chineses, provavelmente exploradores de empregados de fábricas, já que o preço que se paga pelos artefatos não cobre a produção). É ISSO que tira a credibilidade do movimento. É por ISSO que eu não compactuo com esse protesto (não da maneira como está sendo conduzido).
- Que tal escolher um foco? Um único assunto para protestar, para propor uma agenda de melhoria, para levar para quem realmente tem poder de decisão? É a economia? Vocês não leem as notícias internacionais, que dão conta de que, mais uma vez, vamos passar bem pela tal crise mundial? Que tal... prestem atenção, isso é puro ouro: resolver o tópico EDUCAÇÃO de uma vez por todas?

Fica a dica.

Emprego não falta no país. Cês tão ligados, né? O problema é que acreditamos que "sendo jornalistas, vamos ajudar a denunciar a corrupção", acreditamos que o estudo enobrece o ser humano, e nos recusamos a VIRAR LAJE, a LEVANTAR PAREDE, vamos estudar cinema e sociologia e o país está com DÉFICIT DE ENGENHEIROS E DE TRABALHADORES QUALIFICADOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Em vez de acampar na Cinelândia, que tal organizar palestras em escolas pra tentar dar um direcionamento aos milhares de estudantes-futuros-desempregados, para que eles escolham carreiras/trabalhos/empregos reais em vez de viver na utopia permanente de que "manifestações artísticas e culturais resolvem todos os problemas do mundo"?

Ainda no campo da educação, atenção para a crise do endividamento dos estudantes: lá, o ensino superior é PAGO. Não por mim, por você, pelo bolso do contribuinte, mas pelos próprios estudantes que, sem emprego depois que se formam, não têm como pagar os financiamentos. Aqui nós temos universidades públicas de excelência, gratuitas, cujos dirigentes já cogitam o modelo pago para poder manter o padrão de excelência. em vez de protestar para que eles arrumem financiamento de OUTRAS FONTES, e não dos próprios alunos (o argumento das dívidas é muito poderoso! usem!), vocês estão protestando contra o que mesmo?

Com educação, e melhor ainda, com educação profissional, teremos um país de pessoas inteligentes, safas e qualificadas e educadas para suprir as demandas de um país em desenvolvimento - e isso independe de 'capitalismo ou não capitalismo', já que muitos 'capitalistas de carteirinha' podem investir em escolas (vide aquela grande corporação de telefonia que pegou uma escola pública pra criar e hoje é responsável por uma das melhores formações de ensino médio da cidade!). 

Vocês sabem que só "pedir verba para educação" não adianta, né? Não adianta ter verba se ninguém quer SER PROFESSOR. Não adianta ter verba se ela não é direcionada para a valorização do profissional de ensino, seja fundamental, médio ou superior. Não adianta professores ótimos se, em casa, os pais não ensinam conceitos básicos como respeito ao outro, respeito às autoridades e valorização da profissão alheia.


Mas não. Vocês estão aí fazendo oficina de tambor e empunhando cartazes de trocentas causas ao mesmo tempo - que, pulverizadas, não ganham força. Na Cinelândia, em vez de num escritório discutindo como chegar até quem manda no país. Reclamando dos políticos, em vez de aprenderem a fazer política para, assim, mudar o mundo. Ei, que tal resolver um problema, e quando este estiver resolvido, focar em outro, e no próximo, e no próximo, e assim até que tenhamos a sociedade que a gente quer?

2 comentários:

Sharon Caleffi disse...

Lia!

a Warner tem os direitos da máscara? O Fawkes histórico é retratado com ela, é uma máscara meio folclórica, ou não?

Lia disse...

Oi, Sharon!

Aparentemente, essas máscaras são produto licenciado do filme. Com o logo da Warner no canto e tudo. Provavelmente, eles têm direitos sobre o gibi também, já que a DC também é da Warner. Mesmo que a máscara seja folclórica, essa ilustração específica com essas cores e essa proporção é do David Lloyd.

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