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segunda-feira, agosto 31, 2009

Pra quem estava com saudades...

My my my I I I WOOOO! My my my my Sharona!!

(rola um delay em alguns momentos, mas não compromete)

terça-feira, agosto 25, 2009

Dúvida sobre narrativa. Alguém?

Afinal, toda narrativa dramática pressupõe necessariamente um final? Essa 'narrativa do eu', documentação online de processos permanentes de subjetivação, de devires, de épocas históricas, feita diariamente por centenas de pessoas em diferentes plataformas digitais, não poderia ser considerada uma narrativa dramática cross-media? Afinal, estamos sendo assistidos por espectadores que interagem com essas narrativas, e todas elas complementam a informação principal (que, obviamente, é a vida real/offline). Ou toda narrativa precisa necessariamente ter um final estabelecido, o que invalidaria o conceito de 'narrativa' pra esses tipos de registros?

Alguém? Bueller? Alguém?

sexta-feira, agosto 21, 2009

Profecia sobre o fim do diploma de jornalista...

...e sobre todas essas formas colaborativas de produção de informação que a gente tem hoje:

"Com a assimilação indiscriminada dos fatos cresce também a assimilação indiscriminada dos leitores, que se vêem instantaneamente elevados à categoria de colaboradores. Mas há um elemento dialético nesse fenômeno: o declínio da dimensão literária na imprensa burguesa revela-se a fórmula de sua renovação na imprensa soviética. Na medida em que essa dimensão ganha em extensão o que perde em profundidade, a distinção convencional entre o autor e o público, que a imprensa burguesa preserva artificialmente, começa a desaparecer na imprensa soviética. Nela, o leitor está sempre pronto, igualmente, a escrever, descrever e prescrever. Como especialista - se não numa área de saber, pelo menos no cargo em que exerce suas funções -, ele tem acesso à condição de autor. O próprio mundo do trabalho toma a palavra. A capacidade de descrever esse mundo passa a fazer parte das qualificações exigidas para a execução do trabalho. O direito de exercer a profissão literária não mais se funda numa formação especializada, e sim numa formação politécnica, e com isso transforma-se em direito de todos".

Não tenho nada com isso. Quem escreveu o trecho acima foi Walter Benjamin, em 'O autor como produtor', de 1934. 1934. Mil novecentos e trinta e quatro.

E me espanta que essa discussão hoje ainda soe como novidade.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sem juízo

Passei uns dias longe do blog, o que faz bem às vezes. Arranquei um siso no sábado, preciso de repouso mas tenho que trabalhar. Então, durante o tempo em que não estou em função do trabalho, aproveito pra ficar na horizontal com uma compressa gelada na bochecha, estudando pra prova dia 9. Faz total sentido, acho.

Foi curioso. Eu, histérica com mil e um problemas, entro no consultório e dou de cara com o Stephen Fry. Como se não bastasse todo o esforço mental para ignorar que estavam arrancando um dente (só mental, porque a anestesia foi ótima, o dente estava bem posicionado e eu nem senti), a cadeira tremia. Sim, a cadeira fazia massagem nas minhas costas pra eu relaxar (no começo, confesso que fiquei um pouco tensa), enquanto o Stephen Fry passava os apetrechos pro Dr. William, e os dois fazendo piadas sobre sutura.

Humor inglês vibrations. Mas como a vida tem sido meio drama britânico dos anos 90 retratando proletariado, parte esquete do Monty Python, parte filme com o Peter Sellers, não há novidade alguma nisso aí.

* * *

Não, não fiz videozinho 'Lia After Dentist'. Perdi mais uma chance de virar webcelebrity, mas eu tava bem e voltei andando pra casa. Uma pena. 'Is this reeeeal liiiiife?'

terça-feira, agosto 11, 2009

Cavalinhos

cavalinhos

I would choose the darkest horse
That's the horse I'd ride
The stables would be shadowy
and we'd start the race behind...




(música mais linda do ano. juro. tem mais Bishop Allen aqui)

segunda-feira, agosto 10, 2009

À Deriva

E por falar em longa para o mercado internacional, 'À Deriva', de Heitor Dhalia, é lindo. Seu filme anterior, 'O Cheiro do Ralo', era esquisitão, baseado numa história de Lourenço Mutarelli, e não me surpreende que F. tenha dito outro dia que Dhalia não consegue mais verba para filmar. 'O Cheiro do Ralo' não é o filme mais comercial do mundo. A bem da verdade 'À Deriva' também não é.

Mas 'À Deriva' é uma história universal, que poderia se passar no Guarujá, em Cabo Frio, Búzios ou na Côte D'Azur. Durante as férias na casa de praia, a jovem Filipa (a excelente Laura Neiva) vê o casamento de seus pais ruir, ao mesmo tempo em que tem que lidar com todos aqueles dramas adolescentes: a descoberta de sua sexualidade e a descoberta de que o mundo adulto é feito de aparências e hipocrisias. E, apesar da praia, dos adolescentes e de Cauã Raymond, 'À Deriva' está longe de ser um filme leve e ensolarado: a separação de Mathias (Vincent Cassel) e Clarice (Deborah Bloch, perfeita no papel de mulher de francês) é tensa e dramática, ajudada pela trilha espetacular. O espectador é jogado no auge de uma história de falta de comunicação com pelo menos uns quinze anos de ruído entre as partes, e acompanha de perto suas consequências. Como quem não sabe se comunicar não sabe mesmo, os pais de Filipa estão ocupados demais de seus próprios problemas para perceberem que sua filha cresceu. E Filipa, ocupada demais com sua adolescência para entender o que realmente está em jogo.



Não se deixem enganar pelo trailer, que mostra apenas um draminha passado na praia. A tensão do filme só não é mais agoniante porque as belíssimas paisagens aliviam a claustrofobia interna em que se meteram os personagens. É tudo tão lindo e arejado que até contrabalança a sensação de sufoco que a história do filme te leva a sentir.

Aliás, palmas para a produção de arte: sem que se mencione o ano em que a trama se passa, cada mínimo detalhe remete ao começo dos anos 80 - sem exageros e afetações, como realmente era na época, e com sua verossimilhança reforçada pela película 16mm em que o filme foi rodado e pelo filtro meio amarelado. Ok, a produção de elenco pecou um pouco por botar umas duas barriguinhas saradas no filme - mas não compromete. Garanto.

Garanto e recomendo. Veja enquanto ainda está em cartaz. E cante 'Be My Baby' para a pessoa ao seu lado, ainda que você não o (a) conheça. Fará bem.

* * *
Continuem participando da promo do post aí embaixo: o livro 'Uma paixão por cultura' é ótimo e eu realmente quero saber qual foi o filme cabeça que você tem vergonha de admitir que não viu (ou não gostou). Me sinto muito sozinha não gostando (ou não entendendo) '2001'. Sua vez de contar.

sábado, agosto 08, 2009

Uma paixão por cultura

E por falar em literatura, há tempos não pegava um livro tão gostoso nas mãos: dei um tempo de Borges e teorias de comunicação, roteiro, inteligências coletivas e multimídia e caí dentro de 'Uma paixão por cultura', de Carlos Eduardo Paletta Guedes, um romancezinho simpático escrito num estilo tão fluido que não me tomou mais que uma tarde pra devorar.

Paixao_por_cultura_Layout 1

O livro fala de Fábio, advogado que leva um pé na bunda da namorada porque não tem cultura, conhece uma gatinha fã de música clássica, filmes-cabeça e artes plásticas e corre atrás do tempo perdido para impressionar a menina. O autor aproveita para fazer mais que um simples name dropping de referências pop: fornece um guia de música clássica, filmes-cabeça e cânones da literatura para o leitor incauto que precisa corrigir algumas falhas de caráter (como assistir a 'A Felicidade não se compra', de Frank Capra. Já viu? É perfeito). Como se Nick Hornby, além de fazer as listas de cinco mais, te desse o background dos artistas que menciona.

Como produtora cultural diplomada, achei curioso ler sobre apreciação estética e subjetividade do gosto num romance fofo. Como roteirista e escritora com problemas sérios de autocrítica (por isso você nunca leu nada que eu já fiz), li 'Uma paixão por cultura' imaginando um longa divertido, com potencial para o mercado internacional e a Maria Flor no papel de Thaís.

PROMOÇÃO!!

Lounge tem um exemplar de 'Uma paixão por cultura' pra você. Quer? Então responde aí nos comentários: que filme cabeça você tem vergonha de admitir que não viu (ou não gostou), e por que? Até terça-feira, dia 11 de agosto. A resposta que mais me divertir leva (sim, o critério é subjetivo. É arte. Heh).

* * *
O meu é '2001 - uma odisséia no espaço'. Vi. Estava até gostando. Aí dormi. Vi de novo. Dormi de novo. Vi mais uma vez. Dormi mais uma vez. Desisti.

terça-feira, agosto 04, 2009

Revistas online! Oba!

Foi no site de 'A Outra Vida de Catherine Millet' que eu descobri o Issuu.com, uma grande biblioteca de livros e revistas online, da qual não consigo mais sair.

Confesso, listar "Get a high rank on Google" como um dos motivos para usar o serviço para uploadear coisas me assustou. Lembrei do Sou+Web de sábado (que acompanhei via streaming de vídeo e de twitter): SEO é 'Search Engine Optimization', não 'Google Optimization'. Do mesmo jeito que SEM (Marketing em mecanismos de busca) não deve se restringir ao Google - gente, olha a busca do Yahoo bombando e a do Bing crescendo.

Ainda não entendi como o Issuu vai sobreviver, já que não tem anúncios e a publicação é gratuita, e muito menos como as revistas que se autopublicam no Issuu vão sobreviver, já que os anúncios não têm hiperlinks e a interatividade do site se resume a um esquema bacaninha de virar as páginas. Mas beleza, vou continuar frequentando o Issuu pra folhear as revistinhas e ter uma prévia dos livros antes de ler. Achei umas coisas bem interessantes de moda, dança e tecnologia. A ideia é boa. Torço pra que vingue.

domingo, agosto 02, 2009

Tentativa de interpretação de sonhos

Dormi bem e confortável essa noite depois de uma maratona de filmes ('Ligeiramente Grávidos' e o lindo 'À Deriva', calma que vem resenha em breve!) e daqueles programas surreais da tv da madrugada. Jesus, o que é a Gaby Serafim?? Parece que tomou meio quilo de anfetaminas.



Ela é praticamente o João Kléber!

* * *
Aquele programa que é um grande comercial de um chat público por telefone também é muito estranho. Alguém realmente participa daquilo, meu deus?

Acontece que as horas de sono duraram menos do que meu organismo precisa, e no cochilo necessário da tarde, sonhei que ia à Feira de São Cristóvão. Na fila (que estava enoooorme), eu comia um mini-crepe de Nutella e tomava o melhor chocolate do mundo, que vinha com uns krisps de chocolate boiando. Fiquei na pilha de tentar: sonho não se ignora, né? Talvez seja meu inconsciente tentando me dizer algo. Melhor ficar atenta a essas mensagens.

* * *
Nunca mais assistir a Gaby Serafim surtando na madrugada? Escrever urgentemente um projeto de programa pra tv? Alguém vendeu o Quiz Show pra Rede TV, não vendeu? Voltar urgentemente à feira de São Cristóvão?

Na dúvida, mais uma rodada de Gaby Serafim pra galëre.

Catherine M. e a literatura adulta

- Conhece alguém que escreva sobre sexo?
- Eu, ué.
- Tá a fim de ler 'A Outra Vida de Catherine M.'?
- Manda! Livro nunca é demais.

* * *

"Pandora engoliu em seco. A rigidez do corpo dele contra o seu era quase insuportável de tão boa... Nunca se sentira tão feminina antes.
Não demorou e experimentou, com uma intensidade espantosa, todas as curvas de seu corpo, os seios, as nádegas, as coxas, sendo acariciadas por ele. A penugem do peito moreno roçava seus mamilos intumescidos, dando-lhe arrepios.

(...)

Desceu mais um pouco e passou a explorá-la nas partes íntimas. Pandora gemeu ao sentir que ele a penetrava com um dos dedos e a massageava por dentro. Recostou a cabeça no ombro largo, entregando-se. As sensações eram inacreditáveis".


Catherine Millet escreve livros adultos, definitivamente adultos, mas essa putaria toda aí em cima foi, na verdade, extraída da pepita de ouro literária 'O Príncipe do Deserto', de autoria de Iris Johansen, publicada pela milenar coleção de romances Sabrina. Não espere ler sobre sexo em 'A Outra Vida de Catherine M.', cuja autora fala, no máximo, em fornicação. Para ler sobre movimentos sensuais e membros rígidos pressionados contra coxas roliças, favor se dirigir à banca de jornal mais próxima.

Por consideração a Catherine Millet, torço para que, apesar do tom autobiográfico de seu segundo romance em primeira pessoa, 'A Outra Vida de Catherine M.' seja tão ficção quanto os melhores livros em primeira pessoa de Paul Auster: a mulher é louca.

Veja bem: relacionamentos abertos existem aos montes, e até dão certo - porque são um acordo entre ambas as partes, que têm plena noção de que querem a mesma coisa. Catherine tem um relacionamento aberto e duradouro com Jacques, que dá certo desde que ela era uma garota aspirante a crítica de arte. Então, onde está o conflito - que faz com que você se interesse pelo livro a ponto de devorá-lo de uma só vez?

O conflito está dentro dela, que se rasga de ciúmes pelo homem, mesmo que seu discurso seja o de 'vamos levar um relacionamento aberto e sem neuras'. Em 'A outra vida', ela confessa todas as neuras e as crises de ciúme doentias por levar esse relacionamento aberto com o sujeito. São 197 páginas de paranóia, ciúmes e conflito. Veja bem.

Peraí, Catherine: ou você aceita e fica cool com isso, ou procura um relacionamento que não te machuque tanto. Isso aí é masoquismo. A maneira como você relata as paranóias e as crises que chegam a produzir sensacões físicas é digna da recomendação de um psiquatra.

* * *

De fato, o 'estilo sóbrio e elegante' descrito na orelha percorre as 197 páginas de pura necessidade de publicar um segundo livro. Dessas 197 páginas, imagine que umas 64 tenham algo a dizer - as outras 133 são descritivas demais, narrativas demais, Catherine te enrola horas em vez de chegar direto ao ponto.

Confesso, ler as aventuras de Pandora e Phillip, aquele que chega sem camisa em cima de um cavalo selvagem, escritas por uma dona que já está em seu vigésimo livro ruim, pode não ser mais elegante - mas diverte, tem reviravoltas e um vocabulário que eu jamais cogitaria ler. Gosto de ser surpreendida por arte.

Mas e Cat-cat? Perdi meu tempo lendo?

Não. Lembra de 'Inconscientes', comédia genial que fazia troça dos estudos psicanalíticos sobre histeria e, ao mesmo tempo, era uma ode à referida linha de estudos? 'A Outra vida de Catherine Millet' nem chega a ser uma ode sobre alguma coisa, mas consigo encaixar direitinho o livro na seção de psicanálise. Imagino professores do segundo período de psicologia pedindo que os alunos leiam e analisem a personagem. Depois, que eles leiam e analisem a autora, que publicou 197 páginas escrevendo mais do que contando uma história.

Também me senti inspirada por Catherine, o que sempre é bom. Quando um autor te inspira a fazer sua própria arte, o a tua vontade de criação, é porque a obra não foi em vão: ela teve um motivo, um propósito.

Obrigada, Cath-M. Agora eu acredito que sei escrever.

Não acredito que sua intenção tenha sido essa. Mas isso é a subjetividade da arte: é o espectador interpreta como lhe convém, baseado em suas experiências pessoais e em todo o seu histórico de vida, seu processo de subjetivação.

É isso, galera. Agora não tenho mais desculpas. Meu primeiro livro vem aí.

* * *

Literatura adulta por literatura adulta, leiam a coluna de Verônica Volúpia no Bolsa de Mulher! Membros rígidos e mamilos intumescidos em profusão! He, he.
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